Luiz Alex

Tipografia e Evolução (re-edição)

9 de dezembro de 2010 | Publicado em: Ensino Técnico Re-edição Tipografia

Há alguns anos eu ouvia dizer que a tipografia iria acabar.
Eu cursava o técnico em artes gráficas no SENAI, aos meus 15, 16 anos, e a tipografia era uma matéria ativa da grade curricular. Na verdade, o assunto era tratado com tal importância que havia ainda algumas subdivisões dentro dessa matéria, sendo a saber, COMPOSIÇÃO MANUAL, LINOTIPIA E IMPRESSÃO TIPOGRÁFICA.
Três matérias dentro de um tópico em que, naquela época, dizia-se em extinção. Que sentido isso poderia fazer?
Não sei se propositalmente, ou acidentalmente, mas crendo mais na primeira que na segunda, a escola acertou em nos dar toda essa bagagem.
Não dá pra deixar de lado um princípio que já era usado há 500 anos, e que até pouco menos de 10 anos (naquela época) ainda era usado em larga escala pra partir direto para seus sucessores.
Imagino (e me corrijam quem entende mais disso que eu) que seria como se eu fosse aprender telecomunicações sem falar do telefone convencional, do fax, do telégrafo. Nossa primeira aula seria sobre celular e internet.
O aprendizado da tipografia, mesmo eu nunca tendo usado isso na prática, me fez enxergar em três dimensões os princípios das artes gráficas. Hoje seria impossível entender de outra forma, porque tudo que eu tinha em minhas mãos, com a rama, tipos móveis e linhas de linotipo, hoje estão ao teclado, e dentro de um HD de computador. A não ser que tenham inventado novas técnicas de ensino ou que eu esteja muito enganado, nada poderá fazer você entender melhor os princípios das artes gráficas do que a tipografia.
Toda comunicação ocidental usa ainda hoje, conceitos que nasceram lá atrás, com Gutemberg. Até para escrever esse Blog, uso fonte tal e com tamanho X (determinado em pontos).
Essa expressão para determinar o tamanho da fonte – ou corpo da letra – (10 pontos, ou 12 pontos, 72 pontos), nasceu na tipografia, sendo o “ponto” uma subdivisão da Paica.
A tipografia, como processo industrial, tornou-se realmente obsoleta, e praticamente não existe mais. Mas sobrevive como arte. Praticamente todos os conceitos que conhecemos sobre desenho de tipologia, entrelinhamento, espaçamento, blocagem de textos, sentido de leitura, design de páginas, entre outros, nasceram na tipografia.
Quem gosta e nunca viu, deveria ver uma oficina tipográfica. É encantador.
Uma vida cheia de cores pra vc.

este artigo é uma re-edição revisada do artigo originalmente postado em 21 de fevereiro de 2009 no meu antigo blog:

http://escritoriografico.blogspot.com/2009/02/tipografia-e-evolucao.html

4 Comentários para “Tipografia e Evolução (re-edição)”

  1. Marria disse:

    Boa Noite Luiz…
    Estou na parte comercial duma gráfica em Portugal…e tenho necessidade de aprender sempre mais, pois comecei nesta área à 2 anos…
    Sei algumas coisas mas aqui não há ( se souber de-me uma dica) cursos técnicos para desenvolvermos a nossa aprendizagem.
    Quanto ao problema…vamos ver….pois eu tenho um livro e a laminação não levanta ( ou seja com o uso levanta nas dobras, mas nada de especial)….Este livro também tem na capa verniz UV localizado; não sei se é de ter passado por tantas máquinas que deu este problema.
    o cliente é um bocado exquisito ( não percebe nada o que dificulta mais a missão)
    Só tem laminação na frente, no verso tem verniz offset geral( UMA REDE DO PANTONE OURO).
    Realmente em offset é dificil explicar, pois já tinhamos impresso outros trabalhos em pantone prata e nunca aconteceu…:(
    sugerimos ao cliente trocar os livros com problemas mas ele quer devolver tudo pois diz que já tem 5 livros assim.
    Alguma sugestão?
    Desde já parabens pelo vosso trabalho excelente….

    Bom ano de 2011

    • luizAlex disse:

      Olá Marria, que bom que vc tem frequentado o site. Obrigado.
      Quanto às escolas de artes gráficas, as melhores do mundo estão na Europa, agora, especificamente em Portugal não sei se tem alguma especializada. O que sei é que, antes de termos aqui no Brasil o curso superior de Tecnologia Gráfica (pelo qual me formei), nossa única opção era ir pra Alemanha cursar Engenharia Gráfica (mas eu não tinha recursos pra isso).
      Bem, quanto à laminação sobre tinta ouro, a rejeição pode estar ligada à preparação da tinta ou à fabricação do papel.
      Não vou te dizer que nunca vi acontecer, mas é raro.
      Mais uma vez, obrigado pela visita.
      Att,
      Luiz Alex

  2. Marria disse:

    Boa tarde,

    Será que imprimindo uma capa dum livro em offset com pantone ouro + uv localizado e laminação eata última levanta devido á impressao ouro?

    Na frente imprime pantone ouro no verso uma rede do mesmo pantone.

    Mas o plástico pode levantar?

    • luizAlex disse:

      Marria, como vai?
      Tenho feito impressos em pantone ouro com laminação fosca ou brilhante e normalmente não levanta.
      Isso tem acontecido com impressão digital cuja tinta pode sim rejeitar a película, mas nem sempre.
      Como vc disse que a capa do livro é em offset, não tem perigo.
      apenas um cuidado, caso a capa seja flexível, pode acontecer de após laminado começar a encanoar, pois a laminação de um lado só do papel impermeabiliza apenas uma face, podendo (mas nem sempre) causar instabilidade dimensional.
      Estou a sua disposição para falarmos mais sobre o assunto!
      Abraços.

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